Na vida nada é por acaso, as coisas podem acontecer de uma maneira em que paramos as vezes para pensar. Será que se eu não estivesse aqui nesta hora e neste lugar, certas situações teriam tomado outro rumo? Alguns podem pensar em coincidência outros no poder do universo, eu prefiro acreditar nos desígnios de Deus.
Na minha vida eu tive quem sempre olhou por mim (lembrei do Chorão do Charlie Brown) e nunca pude reclamar por deixar de ser assistido em meus piores momentos, podia ser uma dor de cotovelo ou por um cotovelo ralado, uma angústia de final de domingo ou uma virose severa. Sempre tive meus pais dando todo suporte, carinho, atenção, remédios e chazinho quente numa noite de inverno. Eles sempre estavam lá.
Por muito tempo via em meus pais o símbolo da responsabilidade, bom senso, força e agilidade para cuidar de todo enrosco que existia em casa, comigo e com minhas irmãs. Mas o tempo passou tão depressa que eu mal pude notar sua passagem, de um dia para o outro eu me vi no futuro, e nem de longe é igual o desenho dos Jetsons, pois apesar de existir drones, ainda não temos carros que voam e nem esteiras nas ruas.
Nesse furacão chamado tempo, eu me vi em situações em que eu pensava iriam demorar muito mais tempo para chegar. Como acontece com muitos filhos, eu terminei os estudos, fui morar fora e voltei já adulto formado, nos dois sentidos do termo. Comecei um emprego novo e com um bom salário fui logo achar minha cripta e fazer de lá meu canto de liberdade e desapego.
Estava feliz morando sozinho, finalmente posso fazer o que eu quiser, quando e como quiser. Pude aprender coisas novas como cozinhar, lavar, passar e recolher a sujeira do cachorro, aprendi a cortar grama, instalar chuveiro e pagar IPTU, também descobri como achar os melhores preços no jornal do supermercado e a me virar nos trinta quando a mais brutal febre e dor pelo corpo quase me impedia de cuidar dos afazeres domésticos.
Mas o tempo passou de novo e desta vez ele levou embora meu emprego, meu cachorro e minha auto-estima, passei a olhar para o teto tentando achar soluções e respostas para tudo aquilo, pois as contas não paravam de chegar e meu humor já não permitia que eu exercitasse a paciência com as pessoas, meus velhos medos e insegurança tomaram conta de mim e isso trouxe mais e mais situações difíceis e estresse, meu nível de cortisol atravessou o teto que eu fitava.
Então a vida trouxe o que seria uma solução de curto prazo para que eu pudesse me levantar e repensar os meus objetivos. Voltei a morar com os meus pais.
Continua...
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